quinta-feira, 9 de junho de 2011

A Quantas Anda a Educação

Posted by MARDEN BASTOS -Real Estate Sales Representative at EXIT Realty Lake Superior at 00:55
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É curioso como em certos momentos o mesmo assunto atropela a gente de diferentes formas. Semana passada enquanto lia um livro do Augusto Cury, concordei com ele sobre o caminho da educação atual. Lembrei me dos meus tempos de estudante, o volume de coisas que aprendi na escola. Lembrei dos meus tempos de professora de biologia para segundo grau e como ensinava bem menos para meus alunos.Afinal tínhamos de seguir o currículo.  Já os meus filhos, estudanto em escolas canadenses aprenderam menos conteúdo ainda e muitas vezes reclamavam da repetitividade pois ambos adiantaram 1 a 2 anos em comparação ao Brasil. Em alguns casos ele revieram aqui coisas que já haviam estudado no Brasil e em outras houve uma lacuna, como foi o caso da minha filha, que adiantou 2 anos, isto por causa da diferença do período letivo entre os dois países.


Há cerca de 4 anos atrás conheci uma professora que corrigia exames numa universidade canadense e ela comentou comigo que o maior desafio para ela era entender o que o aluno queria dizer, em partes era porque grande maioria era aluno estrangeiro. Erros de ortografia, uso incorreto de palavras e preposições faziam parte da lista dos problemas mais frequentes encontrados nos exames. Para ela a maior  dos alunos de nível secundário não dão muita importância aos estudos e como consequência disto não tinham hábito de leitura, aprendiam a escrever de maneira curta em sala de bate papo e quando se deparavam com um texto sério tinham grandes dificuldades de se expressar. Além disto o sistema de ensino não estimula o pensamento crítico ou raciocínio lógico pelo menos não senti isto aqui. 


Hoje meus filhos estão na faculdade e apesar de escreverem, lerem e entenderem muito bem o inglês, falta discorrer idéias, defender pontos de vista. Não é raro para eles que estão fazendo o curso de ciências políticas, cujas matérias são bastante subjetivas e exige uma análise crítica bastante grande, escreverem projetos de páginas e páginas e me pedirem para ler e dar minha opinião. Embora as vêzes eu não tenha o menor conhecimento inicial sobre o assunto, a medida que leio o conteúdo, a mente  se expande e e eu vejo que poderia ter sido feito mais, aprofundado mais. Acabo questionando certas coisas, para instigá-los a pensar mais e expandir o horizonte.  
Meus filhos fazem um programa de bacharelado trilingue na York e irão incorporar o português como  terceiro idioma. Meu filho ficou irritado quando se matriculou para o curso e exigiram dele um teste. Disse  a ele que seria justo pois afinal ele estudou protuguês até os 12 anos apenas e de lá para cá o contato com a língua é apenas verbal. Ele foi colocado no nível intermediário na faculdade. Passado algum tempo achei um exercício dele e tinha toneladas de erros de português. Ele estava aprendendo subjuntivo e conjuntivo e foi dado frases em separado para se combinar nestes tempos verbais , as vêzes com negativa. Todos os exercícos estavam errados. Falta entender a dinâmica da língua. Sentei com ele, e embora não me lembrasse mais a teroria por trás do assunto, afinal isto acaba sendo natural quando falamos, mostrei a ele como entender o exercício e verbalmente ele respondeu correto desta vez.
Eu sempre fui da teoria de que a gente deve aprender a razão por trás do ato, pois quem sabe o porque, sabe ou aprenderá o como.
Hoje eu vive esta experiência. Eu precisa redigir uma cláusula de um contrato de compra e venda de imóvel e este assunto fugia completamente do comum. Claúsulas tem de ser bem escritas, para não dar erro de interpretação e esta era minha preocupação. Esbocei a claúsula e pedi a minha gerente que desse uma olhada. Ela me disse que disse que havia entendido o conteúdo, mas que não gostava da colocaçào das palavras. Em alguns minutos ela estava no telefone falando com um advogado para melhor redigirmos a cláusula. Foi então que para mim ele deu a fórmula mágica: sempre que escrever uma cláusula nós teríamos que responder - quem? o quê? quando? como? e as vêzes porque . Sabendo quais são os elementos necessários fica mais fácil usar a cabeça e fazer o que for certo, afinal, cabeça não foi feita apenas para usar chapéu, boné, lencinho, arquinho e pregadores não é?
Nos meus tempos de professora de biologia eu colecionava os absurdos escritos nas provas. Até para colar o aluno tem de ser saber ou pelo menos enter o que escreve.
Aqui estão algumas respostas dignas de provas do Enen que ainda me lembro:

1- Quem foi Gregor Mendel? Resposta premiada: "Foi um incrível cientista que inventou a ervilha! " ( Este cara é fera!)
2- Qual a função do rim no sistema urinário?  Definição dada aos alunos: "É o órgão responsável por manter o equilíbrio hídrico ( volume de água) no meio interno." Resposta premiada: "E o órgão genital responsável por manter o equilíbrio atmosférico do meio ambiente".  ( sem comentário)
3- Qual o ácido está presente no estômago e é responsável por parte do processo disgestivo? Resposta premiada: ácido muriático.
4- Você come uma feijoada completa, acompanhada de couve e laranja. Cite alguns dos elementos da feijoada que representam os carboidratos, as gorduras, proteína, enzimas e fibras. Resposta premiada: professora, depois que mastigar tudo e cair lá no estômago, vai estar tudo tão misturadinho, que o ácido muriático não vai saber quem é quem. ( mas eu sei para quem eu dei um duplo zero).
Vocês estão rindo? Não é piada nem historinha de joãozinho. Realidade pura de sala de aula.
 E para fechar o post , colei aqui um email que recebi , mas que reflete bem a realidade do sistema de ensino atual para que possamos pensar para onde esta carruagem está nos levando.


A Evolução da Educação:
 Autor desconhecido


Antigamente se ensinava e cobrava tabuada, caligrafia, redação, datilografia...
Havia aulas de Educação Física, Moral e Cívica, Práticas Agrícolas, Práticas Industriais e cantava-se o Hino Nacional, hasteando a Bandeira Nacional antes de iniciar as aulas...
Leiam o relato de uma Professora de Matemática:
Semana passada, comprei um produto que custou R$ 15,80. Dei à balconista R$ 20,00 e peguei na minha bolsa 80 centavos, para evitar receber ainda mais moedas. A balconista pegou o dinheiro e ficou olhando para a máquina registradora, aparentemente sem saber o que fazer.
Tentei explicar que ela tinha que me dar 5,00 reais de troco, mas ela não se convenceu e chamou o gerente para ajudá-la.
Ficou com lágrimas nos olhos enquanto o gerente tentava explicar e ela aparentemente continuava sem entender.
Por que estou contando isso?
Porque me dei conta da evolução do ensino de matemática desde 1950, que foi assim:
1. Ensino de matemática em 1950:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.
O custo de produção é igual a 4/5 do preço de venda.
Qual é o lucro?
2. Ensino de matemática em 1970:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.
O custo de produção é igual a 4/5 do preço de venda ou R$ 80,00. Qual é o lucro?
3. Ensino de matemática em 1980:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.
O custo de produção é R$ 80,00.
Qual é o lucro?
4. Ensino de matemática em 1990:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.
O custo de produção é R$ 80,00.
Escolha a resposta certa, que indica o lucro:
(  )R$ 20,00 (  )R$ 40,00 (  )R$ 60,00 (  )R$ 80,00 (  )R$ 100,00
5. Ensino de matemática em 2000:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. 
O custo de produção é R$ 80,00.
O lucro é de R$ 20,00.
Está certo?
(  )SIM (  ) NÃO
6. Ensino de matemática em 2009:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.
O custo de produção é R$ 80,00.
Se você souber ler, coloque um X no R$ 20,00.
(  )R$ 20,00 (  )R$ 40,00 (  )R$ 60,00 (  )R$ 80,00 (  )R$ 100,00
7. Em 2011 vai ser assim:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.
O custo de produção é R$ 80,00.
Se você souber ler, coloque um X no R$ 20,00.
(Se você é afro descendente, especial, indígena ou de qualquer outra minoria social não precisa responder).
(  )R$ 20,00 (  )R$ 40,00 (  )R$ 60,00 (  )R$ 80,00 (  )R$ 100,00
E se um moleque resolver pichar a sala de aula e a professora fizer com que ele pinte a sala novamente, os pais ficam enfurecidos pois a professora provocou traumas na criança.
- Essa pergunta foi vencedora em um congresso sobre vida sustentável:
“Todo mundo está 'pensando' em deixar um planeta melhor para nossos filhos...
Quando é que se 'pensará'em deixar filhos melhores para o nosso planeta?"

7 comments:

Paola Tavares Silva Wortman on 9 de junho de 2011 06:50 disse...

excelente! como sempre ...

Carnet d'immigration on 9 de junho de 2011 19:46 disse...

Marden, adorei a sua postagem.

Ainda não imigrei, mas já ouvi falar que o sistema de ensino canadense não estimula muito os alunos, além do currículo não ser tão vasto. A justificativa que ouvi falar é que a maioria dos alunos não seguem para o ensino superior e, portanto, não valia a pena ensinar muito para quem vai acabar no nível técnico.

Confesso que fiquei um pouco assustada com isso, mesmo sem sequer ter filhos (mas pretendo tê-los no Canadá). Inclusive já recebi recomendação de outros imigrantes brasileiros que as melhores escolas são as privadas, de onde saem os melhores alunos que vão para as melhores universidades, como a McGill, por exemplo.

Vc concorda?

Abs
Liliana

MARDEN BASTOS (Real Estate Sales Representative) on 10 de junho de 2011 14:02 disse...

Liliana, por um lado eu concordo e outro não. Aqui não existe uma grande diferença entre o ensino da escola privada e a pública como existe no Brasil. A grande diferença está no número de alunos, portanto o professor pode se dedicar mais aos alunos. Os alunos por sua vez, quando interessados, podem usufruir desta maior disponibilidade. Entretanto o custo é altíssimo e não é acessível à grande maioria.A disciplina de aluno em escola privada é maior, porque são mais vigiados e cobrados.
Um problema que considero maior no Canadá é que o professor do ensino elementar e secundário não tem necessariamente formação específica na matéria que leciona e muitas vezes eles acabam não tendo um conhecimento profundo naquilo que fazem e repassam de maneira pobre o ensino.
Segundo um comentário que ouvi sobre alunos de escola privada e pública é que os de escola privada são mais dedicados, talvez porque são mais cobrados pelos professores e pais.
O maior problema que vejo na atualidade, em geral, é que a família está transferindo para a escola uma parte da eduçação que deveria vir de casa. A escola não é para ensinar valores morais, responsabilidade, respeito,hierarquia, etc. Ela tem responsabilidade acadêmica somente.
Hoje as famílias estão se esquivando da educação básica e deixando que a escola e a televisão façam o resto.
Com certeza a maioria dos alunos das escolas privadas que tiverem melhores notas, não terão nenhuma dificuldade de entrar na McGill, Mc Master, Queen's, etc. Mas conheço vários alunos de escolas públicas que se encontram lá. Portanto quem faz a diferença é o aluno, é a sua vontade de crescer e ser alguém. A escola contribui, mas o papel mais importante ainda cabe ao aluno e a família.Para mim a escola é apenas o meio no qual ele vai se desenvolver. Falta ao jovem canadense o desafio,conhecer dificuldades e barreiras. Eles recebem tudo de mão beijada. Esta é a minha opinião.

Diário Canadá Brasil on 10 de junho de 2011 19:32 disse...

Marden,

Não sabia que vc é uma professora, que surpresa! Eu sou formada em pedagogia, e tbm já ouvi falar e já li sobre a situação educacional no Canadá e seus problemas.

Quanto a responsabilidade familiar e sua relação com a escola, posso te falar com propriedade, a escola tem sido responsabilizada pelo insucesso profissional, pessoal, familiar do país, como se nós educadores fóssemos os redentores da nação.

Sou profesora na rede particular de ensino e não existe diferença entre os pobres e ricos, as famílias de um modo geral tem sido ausentes e não tem cumprido com o seu papel social.

Execelente post, como sempre!
Como são vistos os professores no Canadá?

Bjos,
Diariocanadabrasil.blogspot.com

SonhoComCanada on 11 de junho de 2011 18:02 disse...

excelente post !! =)

abraços;
Catherine
http://meetyoutherecanada.blogspot.com

MARDEN BASTOS (Real Estate Sales Representative) on 11 de junho de 2011 19:57 disse...

DiárioCanadaBrasil, na realidade eu não sou formada em pedagogia. Fui professora de biologia na época em que fiz faculdade de farmacia, pois havia falta de mão de obra da cidade. Dávamos uma aula para um grupo de professores e os diretores da escola e se achavam que tínhamos didática, erámos contratados. Acabei lecionando por 4 anos em escolas secundárias. A profissão de professor aqui tem um salário razoável. É uma profissão respeitada, mas acho que falta especialização.

Catherine e Paola, obrigado pela presença.

leslapins on 12 de junho de 2011 20:27 disse...

Adorei o post! Parabéns.
Quando estava no Brasil, estava muito decepcionada com o nível do ensino por lá. O privado sempre foi melhor que o público, mas o público até minha geraçao dava conta de um conhecimento mínimo em matemática, língua materna, conhecimentos gerais, história, geografia e outras ciências. Mas nos últimos anos, as situaçoes do dia-a-dia (como o exemplo do post) mostravam que estávamos criando uma legiao de analfabetos com diplomas. Eu achava que isso era só no Brasil, pois a queda do nível de ensino foi muito grande após a "aprovaçao continuada". E tb. porque a vida inteira ouvi falar que no Canada e outros países "de 1° mundo" a educaçao era uma prioridade, que era pública e de qualidade. Mas chegando, que decepçao: aqui vi que nao (nos estados unidos pior ainda!). A pública é péssima, os alunos sao semi-analfabetos, nao conhecem nada de matemática, a preguiça parece ser estimulada. A privada até é melhor, mas tem que ter atençao ai tb, pois o nível de qualidade na privada pode variar muito, exatamente como acontece no Brasil.

Abraços
Erika

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