sábado, 26 de março de 2011

O País está mudando?

Posted by MARDEN BASTOS -Real Estate Sales Representative at EXIT Realty Lake Superior at 23:22
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Após quatro anos sem visitar o Brasil, é inevitável perceber uma grande diferença no país e fazer comparações. Algumas são positivas e outras nem tanto.
Antigamente eu achava babaquice quando via um imigrante tecer comentários a respeito das diferenças, mas desta vez eu pude entender o sentimento deles. Não resta a menor dúvida de que a gente sente saudade das pessoas, de algumas comidas, de lugares, mas há certos aspectos da vida no Brasil que parece não mudar ou até piorar.
Desta vez visitei Vitória, Belo Horizonte , Belém e algumas cidades próximas da capital paraense. Fiz coisas triviais como caminhar na praia, comer em barracas, lanchonetes e  restaurantes, andar de taxi, avião e ônibus, ir a lojas, shoppings e mercados populares, comprar artigos locais, ir a bancos e repartições públicas
Bom, positivamente dá para notar que a frota está mais renovada, mas há grande predominância de carros populares.
Em Vitoria vi que o empreedimento imobiliário cresceu muito, a orla está mais limpa, organizada e mais bonita. Em BH com a construção da cidade administrativa na região de Venda Nova, houve melhoria do fluxo de tráfego pela criação da linha verde e também crescimento imobiliário nesta região.
Eu que sempre adorei frequentar feiras e lojas de centro, mas achei os artigos vendidos com má qualidade e com preços altos. Até meus amigos me disseram que era mais vantagem comprar roupas na Savassi que sempre teve boa qualidade, mas hoje tem melhor preço que no centro.
O trânsito eu achei caótico. Apesar do alargamento da Avenida Antônio Carlos desde o trecho do viaduto da BR 381 até o centro, o que sem dúvida melhorou o fluxo neste trecho, quando chega no centro, ele agarra pois tem de se espremer para passar pelos viadutos. Já estava desacostumada a ouvir som de buzina aqui no Canadá, mas no Brasil os motoristas usam a buzina de forma absurda. Além do barulho dos carros, o som das buzinas torna o trânsito mais estressante. Motoqueiros parecem pipoca  no trânsito, como sempre costurando para lá e para cá entre os carros. Em Belém entre o mercado Ver o Peso e o aeroporto gastamos 2, 40 hs pois além do trânsito, as pequenas batidas e a chuva que caiu naquele dia causou inundação em certas áreas que deveríamos passar. No Pará fiquei estressada nas viagens nas estradas. Faixa contínua parecia não existir. Gente cortando em faixa contínua, lombada e curva, como se a rodovia fosse uma reta plana e livre de tráfego. De acordo com alguns amigos nossos, devido à escassez de mão de obra, muita gente sem o devido preparo está sendo contratado inclusive para ser motorista. Muitos acidentes em locais sem justificativa.
Quanto a segurança, recebemos recomendações de muito cuidado. Na rua em que minha sogra mora, um assalto em pleno meio dia de um dia de semana, os bandidos levaram toda a mobília da casa, cujos moradores haviam saído para ir ao médico. De taxi voltando a noite, o taxista  fazia meia parada em semáforos e avançava, e nos disse que era medida de segurança. Recebemos sugestão de dormir por onde estávamos ao invés de voltar para casa. No Pará, chegamos em Castanhal em torno de 7, 30hs e descemos numa rua principal e apesar de estarmos a cerca de menos 1 km do destino, meu pai logo ligou para alguém nos pegar pois não queria ser assaltado no trajeto. Positivamente, não vi grupos de pivetes andando pelos lugares por onde passei, mas não sei se é uma realidade ou não.
No comércio pude ver um aumento muito grande de novas empresas pela região da Pampulha e Venda Nova, por onde andei. Embora eu não tenha saído para fazer uma compra em supermercado, notei na farmácia, que em geral os preços triplicaram desde 2003 para a maioria dos itens de perfumaria. Na loja de eletrodomésticos, achei as geladeiras com desenho bem simples, mas o preço não estava nada condizente. Vi uma discrepância muito grande nos preços  de vários artigos, com variações  às vezes astronômicas num mesmo item entre uma loja e outra. Achei chinelo havaiana, prateado variando de 14 a 32 reais entre supermercado, loja popular de calçados e loja de aeroporto. Se você achou que o preço mais alto era no aeroporto, você errou feio. Era na loja de calçados populares!

Em BH os ônibus mudaram de côres e se tornaram mais alegres com motivos de turismo pintado nas laterais. Ficou bem bonito. No transporte público, vi faixa central para ônibus o que melhora o fluxo do transporte urbano, mas eles continuam cheios. Continua havendo os lugares para idosos, mas muita gente que finge não enxergar  ou até "dorme" para não ser retirado. Nos aeroportos vi pessoas mais simples viajando, mas fica visível que nossos aeroportos são pequenos e falta estrutura para um evento grande como é o caso das Olimpiadas. Não se resolve este problema num passe de mágica. Isto ficou claro quando embarcamos de volta. O funcionário da Air Canadá nos recomendou ir para a sala de embarque mais cedo pois a fila da polícia federal estava grande, o número de guichês era pequeno e a sala bem pequena comparada ao aeroporto de Toronto. Levamos cerca de 30 minutos para apresentar os passaportes.
Em Vitória, houve um alagamento na sala de embarque no dia em que eu estava embarcando. Os passageiros ficavam circulando, saltando sobre as poças de água. Nào havia outra sala para remanejar os passageiros.

No setor público minha experiência não foi nada positiva. Na receita federal gastei 3 dias para  entregar uma declaração em atraso, que não poderia ser entregue via internet. De fila em fila, triagem aqui, mandar para outro prédio, triagem de novo, senha para falar com a funcionária do setor tal, e fila de novo para falar com supervisor, espera de quase 3 hs para o tal supervisor atender duas pessoas, com direito ao guarda de passar uma pessoa na frente que disse ter estado no dia anterior e que o supervisor pediu para voltar naquele dia. Então para que serve senha? Se ficou uma alguma pendência, estava a instrução por escrito? Depois da saída da tal paraquedista de fila, esperei por mais 45 minutos e nada de ser chamada. Por ter um compromisso, sai e voltei no dia no dia seguinte. Depois de 40 minutos na fila o sistema caiu sem previsão de retorno. Voltei no dia seguinte ( terceiro dia) e mais duas horas até resolver o problema.  O que me surpreendeu foi a quantidade de gente que passava o problema para frente. "Como resolve isto? Você sabe? Ah, o fulano sabe! Toma aqui senhora , uma senha para a sala tal. Declaração atrasada? Ah , a senhora tem de entregar via internet! Ah, a internet não recebe mais? Vou ver quem pode resolver isto para a senhora." Somente no terceiro dia é que apareceu alguém que sabia trabalhar e resolveu na triagem o meu problema. Detalhe, a declaração não precisava mais ser entregue. Somente a multa tinha de ser paga.

Agora o meu total espanto diante da falta de preparo no meio público foi no dia da minha volta. Como minha mãe havia usado  dinheiro dela para pagar algumas coisas minhas, dei a ela um cheque meu. Depois de ficar quase 1 hora na fila de idosos para depositar um cheque do mesmo banco, porém de outra agência, o caixa se recusou a fazer o depósito pois precisava consultar o cheque e conferir assinatura. Coitado dos comerciantes!

Enfim, o crescimento econômico do Brasil não parece vir acompanhado de uma melhoria na qualidade de serviços e produtos. As filas continuam existindo, crescendo e parece a coisa mais natural para as pessoas perderem horas nelas. As pessoas dão preços em produtos de uma forma tão natural! Como se fosse uma pechincha! Uma calça jeans 200$? Uma geladeira 2600$? Nem aço inox era! Um carro popular básico, que de tão básico quase que volante e pneu era opcional, 27 mil!
No aeroporto levaram cerca de 20 minutos para cobrar um excesso de bagagem. Isto porque era somente eu na fila!  Em outra empresa tinha passagem disponível, mas não tinha como vender o bilhete pois a queda de energia no aeroporto desligou os computadores da empresa.
No banco em Belo Horizonte agora tem nova lei. É proibido atender e fazer ligação em celular enquanto estão dentro do banco. Tem cliente que finge que não vê os avisos e os guardas fazem vista grossa.
Me senti chata, cheia de picuinha! Antes um monte destas coisas não me incomodavam. Só mesmo depois que conhecemos a realidade em outra lugar é que criamos um parametro e podemos ver o quanto ainda há de caminhada.

2 comments:

Casanova CANADA on 27 de março de 2011 16:48 disse...

Ola Marden!
Por isso e por essas não guento mais ficar no Brasil, sabia? É muita desordem, muito jeitinho, muita injustiça, muito desrespeito, muita violencia e muito a se fazer ainda, para que os cidadão tenham o minimo que o ser humano merece. Definitivamente não nasci para morar aqui.
Agradeço o otimo post! Foi o maximo

Grande abraço
KATZINHA

Lupatinadora on 9 de abril de 2011 22:26 disse...

Aff, que agonia!

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