terça-feira, 21 de dezembro de 2010

O Natal na Minha Infância

Posted by MARDEN BASTOS -Real Estate Sales Representative at EXIT Realty Lake Superior at 01:31
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Eu sempre gostei do natal pois adoro este clima de decoração em tudo: casas, vitrines , o clima de festa e tudo mais e aqui no Canadá eu descobri que as pessoas , carros e cachorros também se decoram para a festas.
Quando eu era bem criança meus pais mandavam meu irmão e eu para a fazenda dos nossos avós lá pras bandas de Abre Campo no início de dezembro. Lá nos participávamos dos preparativos do natal.

Natal na minha infância significava quatro coisas: presépio, novena, reunião de família e muita comida. 

Era a época do ano que revíamos os primos, os tios, comíamos um monte coisa diferente e ajudávamos a preparar isto tudo. E a cada ano conhecíamos um lado torto da família, os tios avós, os primos de segundo, terceiro grau. 
Não tinha árvore de natal, nem papai noel, nem trenó, nem "Jingle Bell", nem lista de presente, nem presentes.
Durante o mês inteiro minhas avós preparavam comida: queijo minas para curar para fazer queijadinha ou para comer com café  ou doce, queijo cabacinha. Doce de leite de colher, moreno, claro, com coco e sem coco, doce de cidra, figo, mamão ralado, laranja da terra, goiabada de colher, goibada cascão, doce de clara, letria, pão dourado,linguiça defumada , lombo de porco curtido na banha, farinha de mandioca e polvilho, biscoito papa ovo, broa de milharina e vai por aí a fora. 
Nos primeiros dias do mês minha avó fazia as coisas devagar, sozinha. Mas lá pelo dia 15  a 20 geralmente as tias começavam a chegar com sua penca de filhos e a casa da fazenda que tinha 6 quartos ficava pequena para aquele mundo de meninos. Para nós, as crianças menores , as tarefas eram leves, mas a gente se divertia com tudo:  catando goiaba no pé e competindo para ver quem pegava mais, ou pegava a maior, ou quem descascava a mandioca mais depressa, ou quem fazia mais biscoito de polvilho na folha da bananeira que seria assado daí a pouco.
Mas tinha hora da diversão também: brincávamos de 5 Marias com uma semente de uma flor do quintal, ou de pique esconde e olhe que tinha lugar para se esconder, ou de cabra cega, ou passar o anel, ou fazer catavento com palha de milho e cera de abelha, amarelinha, jogar baralho ou simplesmente sentar e contar nossos "causos" ou ouvir nossos avós e tios contarem "histórias" reais e que as vezes eram muito engraçadas.  
Depois da  "janta" que acontecia as 4 horas era hora de tomar banho porque às 6 hs era a hora da novena.
E de repente a casa lotava de vizinhos. Todo mundo se ajoelhava ao redor do presépio e rezávamos o terço.
A única coisa que me deixava encabulada era quando a novena era na casa de meu avó paterno. Constantemente ele dizia para minha avó que a novena estava incompleta pois não tinham rezado a Salve Rainha. E ela respondia: "O meu velho , rezamos sim! Foi logo depois da Ave Maria!
Hoje eu sei que ele se entertia com a reza e esquecia de mudar o dedo no terço e no final ele percebia que faltava alguma coisa. 
Eu gostava mais quando a novena era na casa da vizinha da minha avó. Acho que porque o joelho dela era mais magrinho ( era o que eu pensava na época) ela não gostava de ficar ajoelhada por muito tempo. Ela era uma professora de escola rural, então ela lia uma passagem da vida biblica que antecedia a vinda de Jesus, depois fazíamos as três orações e não rezávamos o terço todo. 
Na casa da minha avó todos os dias tínhamos de colher flôres para por no presépio, assim como arrumar musgo novo. 
Dormíamos com o barulho dos sapos e grilos e acordávamos ao cantar do galo. O dia era longo, o relógio parecia caminhar devagar e a mesa era farta. 
Quando chegava dia 25 de dezembro era servido um grande almoço. Alguns parentes de perto vinham para a casa dos meus avós. A mesa da cozinha e a mesa da sala de jantar ficavam cheias de comida. Na cozinha servia o almoço e na sala de jantar servia a sobremesa e o café. Cada uma destas mesas devia ter pelo menos 3 metros de comprimento. Na cozinha a beirada do fogão e uma mesinha pequena próximo a ele também eram usadas para colocar pratos e talheres, alguma comida extra. A única coisa que eu não gostava era ver aquele pobre leitãozinho assado inteiro. Me dava muita pena dele. 
Depois da oração de agradecimento podíamos começar a comer. Depois do almoço cada um de nós tínhamos de beijar os pés do menino Jesus no presépio. Enquanto os adultos contavam seus "causos", a meninada se esbaldava no quintal. E ao final destes dias de festa voltávamos para casa felizes por termos revisto os primos, brincado, ajudado mãe e avó a fazer doces e salgado para o almoço de natal. Não havia  presentes, nem a tristeza de ter ganho algo que não queria, pois os poucos brinquedos que aparecia ali, a maioria eram coisas ques nós fáziamos usando a própria natureza ou os recursos que tínhamos: flauta de bambu , catavento de palha, peteca, boneca de trapo, 5 Marias, espantalho, carrinho de lata, fogão de lenha, colar de contas de Nossa Senhora. 
É uma pena que os meus filhos não puderam vivenciar a simplicidade  de um natal como este. Embora o "papai noel" nunca tenha feito parte da minha fantasia infantil, ele nunca fez falta, pois o verdadeiro anfitrião da festa sempre esteve lá. 
Eu sempre armo o presépio em minha casa, pois isto me remete ao meus tempos felizes  de infância e acho que devemos celebrar o verdadeiro motivo da festa. Adoro a árvore pois a única lembrança que tenho de uma árvore de natal  é que uma vez fui a casa de um vizinho e ele estava montando a sua. Ele estava em cima de uma escada  colocando enfeites no alto e o pisca-pisca estava ligado e aquele monte de bolas de vidro colorido refletindo me pareceram uma coisa de outro mundo. E árvore parecia gigante embora hoje eu sei que ela só tinha 2, 50 metros. 

 Que você aproveite este momento e relembre seus melhores natais, os melhores encontros, os presentes que mais lhe fizeram felizes e não mais caros, os gestos mais bonitos, aqueles que lhe dedicaram carinho e atenção e agradeça por ter estas recordações.

Promova um natal inesquecível para sua família, diferente, amoroso, mas que fique na memória e não apenas no cartão de crédito.

1 comments:

Cathe_Dreams on 21 de dezembro de 2010 18:46 disse...

eu também sinto falta dos Natais cheios de familiares na volta. pena que hoje não é mais assim.
e também, de ficar naquela expectativa quanto ao presente. hoje ganho presentes de natal antes do dia. nao tem graça nenhuma.
espero que esse espirito natalino volte um dia.

e tenho certeza que natal no meio da neve por si só já deve ser BEM diferente.

Faça uma visita quando puder !
adoro aqui !

boa semana!!

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