terça-feira, 7 de setembro de 2010

Porque a gente engorda no Canada?

Posted by MARDEN BASTOS -Real Estate Sales Representative at EXIT Realty Lake Superior at 00:25
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Porque meu caro Watson? Por que a gente descuida da alimentação, começa comer procaria que nem a maioria dos canadenses e muda os horário. Tudo bem que existem os fatores da predisposição para alguns e outros tem distúrbios, mas a maioria é por descuido.

Mas chega um momento na vida que a gente precisa subir na balança com mais frequência pelo menos para monitorar alguma coisa. Enquanto estamos caminhando a passos lentos em direção ao Cabo da boa Esperança, a gente nem liga para a tal da balança.
Antes dos 20 nós nem sabemos onde tem uma balança, chegando aos 30 nós começamos a notá-las em nosso caminho. Quando chegamos aos 40 damos uma balança de presente para o marido ou ganhamos uma dele.
Antes dos 40, enquanto comemos de tudo, brincamos de tocar sanfona ou se preferir brincar de io-io, e o engorda e emagrece não incomoda muito. Mas quando a gente vai se aproximando do Cabo da Boa Esperança a sanfona relaxa, o io-io também se cansa. Os kilinhos a mais vem pra ficar e por mais que nos afastemos do espelho para disfarçar, mesmo que não perguntemos ao espelho da bruxa malvada, ele mostra cada deslize nosso. E não adianta dizer que tem espelho de boa e má qualidade, porque o de boa qualidade lhe mostra a realidade e o de má qualidade lhe mostra uma realidade ainda pior.

Aí a realidade de quem muda para o Canadá fica ainda mais complicada. Porque o efeito psicológico de subir numa balança em “pounds” é ainda mais terrível. O número é enorme e ele lhe ataca no ego. Por mais que você saiba que é apenas um fator de conversão, em valor absoluto ele é grande, e você vê aquele número e se olha no espelho da bruxa e vê cada donut, cada cheese cake, cada sanduiche, cada deslize está ali, estampado na barriga, na coxa, no quadril, as vezes até na face. E se a gente não se cuida, daqui a pouco ele começa a estampar no cartão de crédito, quando coemçamos discretamente a mudar o tamanho das roupas.
Mas chega um ponto em que temos de encarar a realidade. Não por causa da estética, mas por causa da saúde. Porque engordar nos abala a autoestima, nos causa depressão e quando isto não acontece, os pés , os joelhos ou o coração começam a reclamar da nossa falta de cuidado.

Nos primeiros 6 mêses morando no Canadá eu não senti nenhuma alteração de peso em mim. Meus filhos estudavam numa escola a 2,5 km de nossa casa eu os levava e buscava todos os dias à pé. Nós só tínhamos um carro e meu inglês era tão fraco que até para tirar carteira era insuficiente. Pois bem, caminhar 10 km por dia me manteve em forma.
Adotamos a forma de comer canadense. Café leve, almoço leve e jantar completo. Como eu passava o dia sózinha, eu comia qualquer coisa quando tinha fome. Esta mudança na rotina alimentar para um cérebro acostumado à decadas a tomar café, lanche leve, almoço, lanche e depois jantar e as vezes outro lanchinho antes de dormir, passar a ter uma refeição certa e outras incertas em horários aleatórios foi como dar um grito de alerta que ia faltar comida. É claro que outros fatores se somam nestas horas: mudança de tipos de alimentos, um pouco de estresse por causa do recomeço, a falta de uma atividade profissional e muito tempo em casa, vida mais ociosa. E o resultado é claro não foi nada agradável.
No segundo ano aqui resolvemos nos matricular na academia e contratar um personal training e consultar uma nutricionista. Apesar dos meus conhecimentos na área nutricional eu não tinha idéia que esta programação mental em relação aos nosso horários fosse uma coisa tão forte e que o corpo responderia tão rapidamente a uma mudança. O personal do marido era um bombeiro voluntário e que trabalhava de personal trainig a noite. O cara era um verdadeiro guarda-roupa quatro portas com maleiro. A minha personal era a namorada dele e apesar de ser mignonhozinho, fazia todos os exercício  e me acompanhando com uma disposição incrível. A coisa que nós mais ouvíamos era: só falta 10. Vamos você consegue! Ah hoje você está muito moleza... Depois de 6 mêses com o personal training a relação vira uma coisa de amor e ódio. Você gosta do cara mas odeia o que ele faz com você. Depois de tantos anos fora da faculdade eu comecei a relembrar as minhas aulas de anatomia. Eu conseguia identificar certinho, cada músculo que doia.
Perder “pounds” tem um efeito psicológico melhor que perder kilos. Depois de algums mêses reduzimos alguns bons pounds e estacionamos na balança. Paramos de ir a academia e começamos a fazer exercício em casa.
A cerca de um ano e meio demos uma guinada na alimentação em casa: cortamos refrigerantes, frituras e massas brancas, passamos a consumir leite desnatado, arroz e massas integrais, dobramos o consumo de frutas e legumes e peixe e reduzimos as porções.
Meu marido que antes comia num caminhão de sanduiches que vai na empresa todos os dias, passou a levar sua comida de casa. Ele leva 3 a 4 frutas, uma vitamina, iogurte ou queijo e a salada com carne todos os dias. Este ano ele passou a fazer um programa chamado P90X. Ele fez inicialmente os 90 dias sem interromper e perdeu 37 pounds, 2 polegadas na cintura e reduziu o tamanho da calça de 38 para 34/36 , neste um ano e meio. Depois do P90X ele aumentou sua elasticidade e resistência. Raramente ele faz exercício de peso. A massa gordurosa que era de 29% reduziu para 18%. Parou de tomar o medicamento de pressão e o colesterol que vivia sempre na tábua da beirada e hoje está no limite inferior da normalidade.
Hoje eu resolvi fazer uma seção do programa. Comecei no tal de “plyometrics”. Na aula o camarada não usou 1 peso sequer. Nada brutal mas mexe com tudo. E cada dia da semana é uma coisa diferente. Eu que geralmente não transpiro com exercícios físicos, comecei a derreter. Eu devo ter feito uns 40% da série. Não que eu tenha desistido, mas fui fazendo no meu limite. Estou enferrujada. Mas além disto eu detesto exercícios físicos. Gosto da caminhada e dança, mas sou obrigada a reconhecer que só isto não é suficiente para manter a saúde do corpo, a não ser quem faz isto profissionalmente. Então a hora do desafio chegou. Afinal eu estou uns 5% acima do meu peso ideal e isto não é nenhum desatino.
Já faz tempo que a balança parou de torturar meu marido e bruxa do espelho dele desapareceu. Eu ainda insisto em colocar a balança em kilos para não ficar psicologicamente tão afetada ... rsrsr...e a bruxa do espelho está lá me mostrando onde foi parar os turnover de maçã que comi. Mas em breve vou mandá-la para a floresta.
Mas agora falando sério para quem chega: grande parte dos brasileiros que conheço ganharam peso aqui no Canadá. Tentem mudar o menos possível os bons hábitos alimentares que tiverem; não tenham vergonha de fazer sua lancheira e levar para o trabalho, porque a maioria dos canadenses fazem isto. Além disto sair mais barato, é mais saudável, especialmente se você tem tendência a somar “pounds”. Cuidado com a comodidade de comer comida processada pois o teor de sódio é mais alto e um veneno para a pressão. E não pense em se preocupar com a pressão quando estiver mais “velho”. Conheço caso de brasileiro que por achar o paladar do sal aqui mais leve, punha um pouco a mais e foi parar no hospital com pressão alta. Apesar do canadense ter um poder aquisito melhor que os brasileiros, eles comem bem mal, e em breve vocês vão notar como eles adoecem facilmente, principalmente no inverno. A teoria de que o ambiente fechado propicia as doenças é uma realidade, mas com certeza vírus e bactérias atacam organismos mais fracos ou pelo menos se manifesta de forma mais forte neles. Usem e abusem de frutas nativas como o blueberry, cranberry, suco de pomegranate que são bastante antioxidantes e tem um custo benefício muito bom. Além disto as outras frutas locais são deliciosas. Aliás, aqui como muitas frutas são importadas nós temos certas frutas várias vezes ao ano, cada hora de uma região do planeta.
Agindo assim vocês não serão torturados pela balança nem ouvirão a gargalhada da bruxa do espelho e nem ficarão com dor de consciência pelos pacotes de cookies que comeram. Dá para comer de tudo o que os canadenses gostam, mas não precisa ser as caixas gigantes nem um atrás do outro.
Um dos segredos em saciar “a mente”quando se come aquilo que é proibido ou menos indicado, não é comer depressa para que ninguém veja e sim comer bem devagar e degustar para que emocionalmente você se sinta saciado.



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